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O avanço do império Odebrecht
A aquisição da petroquímica americana Sunoco pela Braskem e a associação da ETH Bioenergia com a Brenco, que devem ser anunciadas nesta semana, vão colocar as duas empresas da Odebrecht, em outro patamar. A Braskem se tornará a sétima maior do mundo no setor e a ETH, criada há menos de três anos, pode ser a número um no ranking global de produção de etanol e energia produzida com bagaço de cana. Os dois negócios simbolizam um movimento mais amplo da Odebrecht. O grupo procura deixar para trás um passado de empreiteira, com grandes obras públicas, escândalos e embaraços políticos, para investir alto, em setores promissores. O plano é ambicioso. A Odebrecht pretende investir R$ 25 bilhões, em três anos, para criar campeões em áreas como petroquímica, petróleo, etanol, infraestrutura e habitação popular. "Nossa força está, principalmente, em tudo que se refere à infraestrutura", afirma Marcelo Odebrecht, neto do fundador do grupo. Braskem negocia a compra de 2 petroquímicas nos EUA alem da Sunoco
Embalada pelos investimentos em torno do pré-sal, a Odebrecht quer transformar também a sua empresa de óleo e gás, na maior companhia privada do setor no País. Na área de energia, é acionista relevante da hidrelétrica de Santo Antonio - que, ao lado da de Jirau, são as maiores em construção - e disputa as concessões de Belo Monte, Tapajós e Teles Pires. Isso, sem falar na Braskem, que, além da Sunoco, negocia a compra de outras duas petroquímicas nos Estados Unidos. Hoje, todos os 11 negócios da Odebrecht geram uma receita anual de R$ 38 bilhões, três vezes mais do que há sete anos. Graças a esse plano de diversificação, ela se tornou um dos grupos privados de grande porte que mais crescem no Brasil, mesmo sem uma estratégia forte de aquisições - Braskem e ETH são exceções. Petroquímica continuará sendo o principal negócio
Em 2012, quando boa parte dos novos projetos começarem a trazer dinheiro para o caixa, a Odebrecht será um conglomerado de pelo menos R$ 63 bilhões, segundo estimativas do próprio grupo. Esse número, que não inclui as novas aquisições, colocaria a Odebrecht muito perto do que é hoje a Vale, a maior companhia de capital privado do País. A petroquímica, que atualmente responde por mais da metade do faturamento do grupo, continuará sendo o principal negócio da Odebrecht nos próximos anos, segundo previsões internas. Mas novas áreas ganharão musculatura. A Odebrecht Óleo e Gás é um exemplo. Com apenas três sondas de perfuração de águas profundas contratadas com a Petrobrás, vai investir US$ 1 bilhão por ano até 2011 para liderar o mercado. "É um ramo muito promissor", diz Miguel Gradin, presidente da Óleo e Gás.
ETH Bioenergia pode ultrapassar a Cosan e Santa Elisa
Enquanto várias novatas quebraram no meio do caminho, a ETH Bioenergia, criada em 2007, pode ultrapassar grupos tradicionais como Cosan e Santa Elisa, na produção de etanol e energia. A aquisição da Brenco, que se arrasta há seis meses, deveria ter sido fechado no fim de 2009. Mas, segundo José Carlos Grubisich, presidente da ETH, o tempo gasto é justificado. "São empresas que têm muitas usinas em implantação. Se a avaliação de projetos existentes, já é um desafio grande, imagine a complexidade de avaliar e definir as relações de troca em empresas, que ainda nem estão produzindo", disse o executivo, antes de o negócio ser fechado. Não é a primeira vez que a Odebrecht se arrisca em novas fronteiras de negócios. Na década de 50, a diversificação se provou um desastre. Norberto, o fundador, chegou a comprar navios e madeireiras. Nos anos 90, para compensar a falta de obras de infraestrutura no Brasil, o grupo se internacionalizou e investiu pesado em papel e celulose e concessões de rodovias e hidrelétricas. O resultado foi um endividamento, que obrigou a Odebrecht a se desfazer dos ativos, alguns anos depois.
Grupo depende de apoio do governo
"Só voltamos a reinvestir em 2004. Desde então, só fazemos investimentos com a fonte de financiamento garantida", diz o vice-presidente financeiro do grupo, Paulo Cesena. "Entramos na crise sem o risco de cancelar projetos. Essas coisas só vêm com o aprendizado." Na opinião de um ex-executivo da Odebrecht, o grupo não teria chegado aonde chegou não fosse o apoio maciço do governo. "O grupo desenvolveu uma extraordinária capacidade de relacionar-se com governos, tanto no Brasil quanto no exterior. Tem uma capacidade camaleônica de se adaptar", diz. "Mas, agora, acredito que essa dependência tende a diminuir, na medida em que o grupo seja cada vez menos empreiteiro e mais investidor e pratique a filosofia das parcerias público-privadas, assumindo a operação e gestão, como é a proposta da Embraport (empresa de portos em sociedade com a Coimex e a DPW, de Dubai." A Odebrecht é uma empresa peculiar sob muitos aspectos. Não contrata, por exemplo, consultores para identificar tendências e mapear oportunidades em novas áreas. A maior parte dos negócios é derivada de alguma maneira, da construtora.
Grande escala permite ser competitiva na área imobiliária
Até 2007, a Odebrecht tinha atuações pontuais na área imobiliária. Com a queda nas taxas de juros e o aumento da oferta de crédito, o grupo criou a Odebrecht Realizações Imobiliárias, que já fez a construção de shoppings, projetos para empresas e residências para todas as faixas de renda. Mas é o segmento econômico, voltado para famílias com renda de até 10 salários mínimos, o que mais cresce apoiado pelos benefícios do programa do governo Minha Casa, Minha Vida. Hoje, responde por 40% do faturamento e deve crescer ainda mais. Até o fim de 2011, 50 mil casas deverão ser entregues. A estratégia é a construção de enormes bairros planejados, com 1,5 mil a 10 mil unidades por empreendimento. "Só a grande escala nos permite ser competitivos nesse segmento", afirma Paul Altit, presidente da empresa.
Foz do Brasil atende 15 municípios
A experiência da construtora em obras para governos permitiu que a Odebrecht enxergasse uma oportunidade, em uma área em que os investimentos públicos são escassos: o saneamento básico. A Foz do Brasil, empresa de engenharia ambiental, é responsável pela primeira concessão privada do País de água e esgoto, em Limeira (SP). A empresa atende hoje 3,5 milhões de pessoas em 15 municípios e está fechando uma parceria com a Sabesp para transformar o esgoto do ABC paulista em água para uso na indústria. "Será o maior projeto de água de reúso no Hemisfério Sul, e o quinto no mundo", diz Fernando Santos-Reis, presidente da Foz do Brasil. Essa nova face do grupo levou, recentemente, à criação da Odebrecht Investimentos em Infraestrutura, uma incubadora dos projetos, que nascem na construtora. Com apenas 12 funcionários, seu papel não é o de prospectar, mas de estruturar financiamentos de longo prazo e costurar sociedades. Além de um estádio de futebol na Bahia e da participação na hidrelétrica de Santo Antonio, ganhou concessões rodoviárias no Brasil, Panamá e Peru.
'Bota quem tem culpa na cadeia'
A Odebrecht, com seus R$ 38 bilhões de faturamento e mais de 100 mil empregados, é uma grande família. Entre eles, indicações de amigos valem mais do que recomendações de headhunters, e lealdade vem antes de qualquer outra coisa. Por dentro, está tudo resolvido. Mas, olhando para fora, aparece uma preocupação: o clima de desconfiança que cerca a relação da empresa com o governo. É assim que Marcelo Odebrecht, presidente do grupo, afirma enxergar sua empresa, sua família e o mundo que os rodeia. "Bota na cadeia quem tem culpa. É óbvio que existem casos de corrupção, mas é minoria. Por isso, vamos generalizar e criar uma cultura de desconfiança?", questiona. Com opiniões fortes, 41 anos, casado, três filhas, Marcelo assumiu, há um ano, o grupo fundado pelo avô, Norberto. Obcecado por trabalho, Marcelo é um sujeito simples, cultiva poucos amigos e procura ficar mais tempo com a família, do que seu pai ficava. Na visão de pessoas que conhecem a família, Marcelo não é extrovertido como o pai, Emílio, "que é uma pessoa envolvente, emocional". Também não tem o carisma do avô. “Mas, se não fosse bom, não teria emplacado como CEO do grupo", diz um ex-executivo da Odebrecht./OESP – Capa
Braskem deve anunciar compra da Sunoco nos EUA
A aquisição da rival Quattor colocou a Braskem, na oitava posição no ranking das maiores petroquímicas do mundo. Mas a companhia nem esquentou o lugar. Nesta segunda-feira, deve anunciar a compra das operações petroquímicas da americana Sunoco, gigante que tem o forte de suas atividades na área de petróleo - é uma das maiores distribuidoras de combustível dos EUA. O negócio está estimado em US$ 400 milhões. Com a aquisição, a Braskem pula para a sétima posição entre as maiores petroquímicas globais. Sunoco deve agregar mais 1,5 milhão de toneladas de resina A entrada no mercado americano, com a compra de uma operação no país, era um objetivo que vinha sendo perseguido ha tempos pela Braskem. E se insere na estratégia do grupo de se tornar, até 2020, o quinto maior do mundo no setor. Com a Quattor, a capacidade de produção de resinas da Braskem chegou a 5,5 milhões de toneladas por ano. A Sunoco deve agregar mais 1,5 milhão de toneladas a esse número. Assim, a Braskem ultrapassa a britânica Ineos, que tem capacidade para 6,5 milhões de toneladas de resina, e fica bem perto da saudita Sabic (7,1 milhões) e da taiwanesa Formosa (7,2 milhões). As líderes globais são a holandesa LyondellBasell (10,91 milhões), a americana ExxonMobil (9,3 milhões), a chinesa Sinopec (8,6 milhões) e a americana Dow (7,7 milhões). A Braskem também negocia com outras empresas nos EUA, e a aquisição da Sunoco pode não ser a única do grupo em território americano. Para a empresa brasileira, o foco no mercado americano é a forma mais eficiente, neste momento, de ganhar mais relevância no tabuleiro global. Complexo mexicano representa investimento de US$ 2,5 bi nos outros grandes mercados, o europeu e o asiático, a forte presença de empresas do Oriente Médio, que têm à disposição matéria-prima farta e barata para a produção de resinas, torna a concorrência muito mais difícil para a Braskem, controlada pela Odebrecht, mas agora com uma participação maior da Petrobras, na administração. A empresa já instalou-se no México, em parceria com o grupo Idesa, que prevê a implantação de um complexo petroquímico naquele pais, com investimentos de US$ 2,5 bilhões. Esse complexo será composto de uma unidade de produção de etileno, com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano, e três unidades de produção de polietileno - a matéria-prima para a fabricação de produtos plásticos. Nesse caso, o mercado americano já estava na mira. Além de abastecer o México, as projeções são de que haverá ainda um excedente de produção, que poderá ser exportado para os EUA - que, segundo estudos, devem deixar de ser autossuficientes, a partir de 2015. Projeto na Venezuela já foi adiado 2 vezes Os planos internacionais da Braskem incluem também investimentos na América do Sul. A empresa constrói duas unidades petroquímicas na Venezuela, em parceria com a Pequiven. Esse projeto já teve seu prazo de conclusão adiado duas vezes. A princípio, a previsão era iniciar as operações agora em 2010. Esse prazo, porém, foi postergado em 2008 para uma janela entre o fim de 2011 e o começo de 2012. No ano passado, esse prazo foi adiado mais uma vez, para o início de 2013. O grupo brasileiro também estuda investimentos no Peru e na Bolívia. Esses negócios ainda não passaram da fase de prospecção e dependem de algumas variáveis, como a garantia de fornecimento de matéria-prima, para saírem do papel./OESP B12 30/01/A Tarde – BA/ZH-InfEco
Afetada pela crise, Sunoco encerrou linhas de produção e vendeu refinaria no ano passado A Sunoco foi uma das empresas afetadas, com a crise internacional, pela combinação de queda da demanda e escassez de linhas de crédito. Desde o final de 2008, a companhia anunciou medidas, como o fechamento de linhas de produção, a limitação da distribuição de dividendos e até mesmo a redução de salários de trabalhadores, para se adequar ao ambiente global. A possibilidade de vender ativos também foi comunicada pela empresa, que chegou inclusive a negociar uma refinaria e uma unidade de distribuição de óleo e propano, ao longo de 2009. Com isso, as ações do grupo, que ultrapassaram US$ 40 antes do agravamento da crise, em 2008, chegaram a cair para a casa de US$ 22 no ano passado e hoje oscilam próximo de US$ 26. Braskem tentou comprar ativos da Dow e da Nova Chemicals A Braskem, por sua vez, estava em busca de ativos para ingressar no mercado petroquímico norte-americano, o maior do mundo. A companhia, segundo fontes ligadas ao setor, teria, no passado, iniciado negociações para comprar ativos da Dow Chemical e da Nova Chemicals, empresa que foi adquirida em meados do ano passado pelo International Petroleum Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes. Após perder a disputa por esse ativo, a Braskem intensificou as conversações com grupos norte-americanos e desde o final do ano passado já tem negociações encaminhadas nos EUA, tendo inclusive assinado acordos de confidencialidade, para dar andamento a tais operações. Por isso, a companhia não comenta qualquer possibilidade de negócio, limitando-se a confirmar o interesse em ingressar no mercado norte-americano. Operação deve movimentar US$ 500 milhões Ao negociar a compra de ativos petroquímicos da Sunoco, em uma operação que deve movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, de acordo com rumores do mercado, a Braskem conseguirá finalmente viabilizar a operação idealizada no início de 2009. A prioridade da companhia, segunda fonte próxima à direção da Braskem, é ter contato com o mercado norte-americano, mesmo que esse movimento seja feito a partir da compra de ativos pouco expressivos no ambiente de mercado da maior potência mundial - as principais petroquímicas instaladas nos Estados Unidos são a ExxonMobil, Dow e LyondellBasell. Ingresso da Braskem no mercado de gás natural é aguardado há anos A Sunoco Chemicals, braço petroquímico do grupo, possui nove unidades de produção de insumos como fenol, acetona, benzeno e polipropileno (PP), segundo consta na página eletrônica da companhia. Dessas áreas de negócios, os segmentos de maior interesse para a Braskem são os dois últimos - a companhia brasileira já atua no segmento de petroquímicos básicos e é a maior fabricante de resinas (caso do PP) das Américas. Com a aquisição de parte do grupo Sunoco, a Braskem também consolida sua presença como consumidora, no mercado de gás natural. Utilizado em larga escala nos EUA, como matéria-prima para a produção de petroquímicos básicos, o insumo era usado pela Braskem, apenas como fonte energética. Esse cenário mudou com a aquisição da Quattor, que opera a Riopol, único dos quatro polos brasileiros, que não utiliza a nafta como matéria-prima. O ingresso da Braskem no mercado de gás natural é aguardado há anos. Desde sua criação, em 2002, a companhia tem o nome envolvido em projetos petroquímicos na AL. A primeira iniciativa nesse mercado, estava prevista para ocorrer na Bolívia, mas o projeto foi congelado. Em 2005, a Braskem assinou memorando de entendimento com a Pequiven, para avaliar oportunidades de investimento na região. Três anos depois, chegou a um acordo com a Petrobras e a PetroPeru, para analisar a construção de um polo gás-químico, em território peruano. No ano passado, a Braskem participou do consórcio, que venceu a concorrência para construir um complexo petroquímico no México. O projeto, assim como os anteriores, também é baseado no fornecimento de gás natural. /Agestado
Aquisição pode ser anunciada no dia 4
A Braskem deve finalmente fincar um pé nos Estados Unidos, através da aquisição da unidade química da americana Sunoco. O valor da aquisição deve ficar por volta de US$ 500 milhões a US$ 700 milhões, segundo fontes ligadas ao assunto. O esforço dos negociadores é que a transação esteja concluída, a ponto de ser anunciada no dia 4 de fevereiro, quando a Sunoco divulgará o seu balanço financeiro de 2009, afirmaram essas fontes. Mas não há garantias de que o comunicado saia realmente neste dia. Unidade é considerada de porte médio para os padrões americanos A Sunoco, com sede na cidade de Filadélfia, na região leste dos EUA, é dona de refinarias, responsáveis pela maior parte de sua receita superior a US$ 50 bilhões por ano. A unidade química da Sunoco é considerada de porte médio para os padrões americanos. Mas, se encaixa na estratégia da Braskem de deter canais de distribuição e de vendas nos EUA. Com eles, a Braskem poderá usá-los para destinar parte de sua produção futura em projetos de investimentos que possui, por exemplo, no México e Venezuela, voltados à exportação. A unidade foi colocada à venda em dezembro de 2008 caso a empresa encontrasse alguém disposto a pagar um valor justo às operações, disse a principal executiva da empresa, Lynn Elsenhans, em inúmeras ocasiões. Perfil da Sunoco A Sunoco, que possui nove fábricas de resinas e de produtos químicos, é a quarta maior fabricante de polipropileno dos EUA, com 1,2 milhão de toneladas por ano. A produção deste tipo de resina está concentrada nos estados americanos do Texas, West Virginia e Pensilvânia. Além disso, a empresa produz benzeno e é a maior fabricante americana de fenol, com fábricas em New Jersey, Ohio, Pensilvânia, todas nos EUA, e no Canadá. A unidade química emprega 1 mil funcionários. A Braskem avalia que a oportunidade de comprar a Sunoco é fundamental para acelerar seu crescimento no exterior num momento considerado propício em razão da depreciação no valor das empresas por causa da recessão econômica nos EUA, dizem as fontes. A empresa entende que o mercado americano, o maior do mundo no consumo de plásticos, voltará a crescer a médio prazo, depois de superar a atual fase de contração. /Ultimo Segundo - IG
Nova Braskem de olho no “top 5”
Dias atrás, quando a Braskem anunciou oficialmente a compra da Quattor, um dos assuntos de maior destaque, foi a internacionalização da empresa. Com a aquisição, a companhia saltou da 11ª para a 8ª posição entre as maiores petroquímicas do mundo. Bernardo Gradin, presidente da Braskem, disse que, de agora em diante, buscaria matéria-prima a preços competitivos na Venezuela, no Peru e no México. Além disso, o executivo confirmou que a empresa estuda uma maneira de entrar de vez no mercado norte-americano. Ou seja, os olhos da Braskem parecem estar bem abertos para o mercado internacional. João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, diz que a próxima década será crucial para a Braskem - que, segundo ele, poderá estar entre as cinco maiores do mundo no setor: "até 2020, a Braskem precisará buscar custos competitivos e se fazer presente em grandes mercados, como o norte-americano". Empresa precisa de estratégia e musculatura Se a estratégia fora do Brasil já está bastante clara, Zuñeda acrescenta que, até 2020, a exploração da camada pré-sal estará mais desenvolvida. Além disso, as novas refinarias da Petrobras já estarão em operação, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo o especialista, "no Brasil, é esse movimento que irá mostrar se teremos matéria-prima competitiva ou não". Com a Quattor, a capacidade de produção de eteno da Braskem saltou para 3,7 milhões de toneladas/ano. Hoje, a 5ª colocada no ranking mundial é a LyondellBasell, com 5,4 milhões. É consenso no mercado que, num futuro não muito distante, restarão poucas empresas competindo. Por isso, o ganho de escala será fundamental. "Para competir no ‘top 5', será preciso estratégia e musculatura", ressalta Zuñeda. Vale lembrar que o negócio fechado dias atrás selou o aumento da participação da Petrobras no capital da Braskem. A maior presença da estatal na Braskem reforça uma tendência global: das 5 maiores petroquímicas do mundo, três têm no seu core business companhias produtoras de petróleo - como é o caso da Petrobras.
Especialista também acredita na aquisição da unidade da Sunoco
"Mesmo que o mercado de matéria-prima ainda precise se desenvolver muito, a nova Braskem já tem grandes fortalezas, e uma delas é a Petrobras. Pouco se falou, mas recentemente a estatal ultrapassou a Shell em valor de mercado", observa Zuñeda. Agora que a Braskem encorpou sua produção, agregando a Quattor, a empresa planeja a melhor maneira de fincar bandeira nos Estados Unidos - maior mercado das Américas. Para Zuñeda, a Gerdau pode servir de exemplo quando o assunto é EUA. "Eles compraram siderúrgicas locais. Uma coisa é ter trading, outra é ter funcionários, conhecer a logística do país", aponta o especialista. Ele observa que o mais provável alvo de uma investida da Braskem é a Sunoco Chemicals, "mas também se fala na LyondellBasel, na Ineos e na compra de unidade da Dow Chemical"./Amanhã - Online
Governo está perto de realizar projeto de criar petroquímica multinacional verde-amarela
Com forte empenho do BNDES, a Braskem, que anuncia hoje a compra da divisão petroquímica da americana Sunoco, negocia a aquisição de uma gigante do mercado americano, ainda neste semestre. No momento, negocia firme com a Ineos, controlada por fundos ingleses, que dobraria sua produção de resinas. Mais frias, mas estão definitivamente encerradas estão as conversas com a Dow Chemical e LyondellBassell. O governo temia que o Brasil perdesse a oportunidade de comprar a preços baixos, petroquímicas que passam por dificuldades nos EUA, deixando espaço para os asiáticos. Com a Sunoco, a Braskem desembolsa cerca de US$ 500 milhões de recursos próprios e se consolida como líder em resinas plásticas das Américas e oitava no mundo. Mas ficará entre as três maiores do mundo com a aquisição, financiada pelo BNDES e provável emissão de ações e dívida, de um complexo integrado, para avançar em polietileno, nos EUA.
Braskem finca os pés nos EUA com patrocínio da Petrobras e do BNDES
Incentivada pelo governo, que quer ter grandes companhias brasileiras multinacionais, a Braskem, que anuncia a compra da divisão petroquímica da americana Sunoco, aprofunda negociações para fechar a aquisição de uma grande companhia no mercado americano, ainda neste semestre. Neste momento, a negociação está mais firme com a Ineos, companhia inglesa controlada por fundos de private equities, mas também há conversações com a Dow Chemical e com a européia LyondellBassell. O patrocinador da investida da Braskem no exterior é o governo, por meio da Petrobras e do BNDES. O banco será uma de suas fontes de financiamento do negócio. Há dez dias, a Braskem concretizou a operação de incorporação da concorrente local Quattor, o que tornou a petroquímica controlada pelo grupo Odebrecht e Petrobras na 8ª maior do mundo na fabricação de resinas plásticas e líder nas Américas. Com os ativos de polipropileno da Sunoco, a brasileira se consolida na primeira posição nessa região. O próximo passo nos EUA deve colocá-la entre as três principais fabricantes globais. Pagamento da Sunoco será feito com recursos próprios e financiamento local A Sunoco, cujo desembolso deve ficar próximo US$ 500 milhões, marca a entrada da Braskem no mercado americano, com uma plataforma de produção. O pagamento será feito com recursos próprios e algum financiamento local. É para a operação mais ousada, que a gigante nacional dos plásticos conta com dinheiro do BNDES. Com três fábricas - Marcus Hook, na Pensilvânia, La Porte, no Texas e Neal, no West Virginia -, a americana Sunoco dispõe atualmente de capacidade para fabricar 940 mil toneladas/ano de polipropileno. No ano passado, a empresa fechou, por conta da crise, a unidade de Bayport, Minnesota, apta a fazer pouco mais de 200 mil toneladas. A Braskem já estreia no mercado americano, como 4ª maior produtora desse tipo de resina e com uma participação nas vendas de 18%. A empresa garantiu na operação, um contrato de longo prazo (15 anos) de fornecimento de eteno, para as três fábricas de resinas que está adquirindo. Os ativos de químicos básicos da Sunoco, distribuídos em várias unidades, ficam de fora.
No polipropileno, Sunoco faturou US$ 2,2 bilhões
Com sede na Filadélfia (EUA), a Sunoco Inc. tem no refino de petróleo (cerca de 800 mil barris/ dia) sua maior receita e principal negócio. Em 2008, a companhia obteve faturamento total de US$ 54 bilhões. No polipropileno, faturou US$ 2,2 bilhões. A empresa é mais conhecida nos Estados Unidos por ser a fornecedora oficial de combustível do circuito de corrida Nascar. "Quem está comprando empresas do Primeiro Mundo são empresas do Terceiro", ironizou uma fonte da empresa. As negociações com a Sunoco começaram em meados do ano passado, quando os ativos petroquímicos nos EUA estavam fortemente desvalorizados como efeito da crise financeira mundial e impacto na demanda por commodities e matérias-primas em geral. A indústria americana de resinas plásticas sofreu mais que a de outros países - o inicio da recuperação só se deu a partir de abril. As companhias locais - caso da Sunoco e da LyondellBasell - tiveram quedas de receita de até 50%. A grande aposta da Braskem é que o mercado americano, pelo seu porte, ganhe força outra vez e se mantenha importante, para qualquer grupo com plano de ter uma plataforma global. O que a brasileira está aproveitando são as dificuldades financeiras, que os grupos instalados nos EUA enfrentaram depois da crise. Por isso, muitos deles lançaram planos de reorganização dos negócios, desfazendo-se de operações menos rentáveis ou de baixa performance, para continuar em atividade.
Conversas com a Ineos estão mais avançadas.
O próximo passo da companhia tem como foco a aquisição de um complexo industrial integrado de matéria-prima atrelado à instalações de fabricação de polietileno, de maior demanda que o polipropileno. Os ativos da Sunoco desse produto produzem o mesmo que faz a Quattor no Brasil. Fontes afirmam que as conversações com a inglesa Ineos, a terceira maior produtora de polietileno nos EUA, estão mais avançadas. A empresa também tem capacidade em torno de 1 milhão de toneladas de polipropileno. De capital fechado e faturamento de US$ 47 bilhões, a Ineos também foi duramente atingida pela crise financeira. As negociações com Dow, que seguiam firmes nos últimos meses, esfriaram, segundo uma fonte, mas não estão descartadas. Os ativos da LyondellBasell, resultado da aquisição da Basell pela Lyondell em 2007, enfrentam desde janeiro do ano passado, uma concordata nos EUA. Pelo seu peso e localização, são considerados atraentes para diversos grupos petroquímicos, que desejam avançar no setor. A indiana Reliance, por exemplo, está jogando pesado, para adquirir as operações globais dessa companhia, sediada na Holanda. O grupo indiano fez em novembro uma oferta de US$ 12 bilhões.
Briga para avançar no polietileno é mais complicada
No momento, a divisão americana Lyondell Basell - que faz mais de 4 milhões de toneladas de resinas nos EUA - tem a cogestão de seus credores e tem até o início de abril, para apresentar um plano de reorganização de seus passivos. A dívida da companhia supera US$ 20 bilhões. Para a segunda aquisição, além dos recursos do BNDES, a Braskem vai recorrer ao apoio dos acionistas. Vai ter de fazer um aumento de capital, de acordo o presidente da empresa, Bernardo Gradin, logo após o anúncio de compra da Quattor. A operação prevê ainda emissão de debêntures. "Há boas oportunidades no mercado americano. Mas, diferentemente dos negócios de polipropileno, a briga para avançar no polietileno é mais complicada. Este é um mercado muito competitivo, com grandes players e com participações relevantes no Oriente Médio e Ásia, que têm custos mais baixos", disse João Luiz Zuñeda, da consultoria Maxiquim. Sabic, da Arábia Saudita, e Formosa Group, do Taiwan, também estão disputando ativos. Nos Estados Unidos, essas empresas, que já estão consolidadas, buscam avançar neste mercado./Valor Capa e B1
Petrobras cresce muito em várias áreas e já movimenta 10% do PIB
Às vésperas do Natal, a Petrobras comprou sua primeira usina de etanol. Um mês antes, adquiriu metade de uma fábrica de biodiesel. No início do ano, aumentou sua participação na Braskem, empresa que acaba de adquirir a Quattor e formar uma das maiores petroquímicas do mundo. Esses são os lances mais recentes da estratégia de crescimento da Petrobras, traçada pelo governo Lula, que inclui também compras de redes de postos de combustíveis, usinas termoelétricas e construção de pelo menos uma fábrica de fertilizantes. Com aquisições e investimentos maciços, a Petrobras aumentou seu peso na economia do País, com ramificações em várias áreas. O valor do que a estatal produz e o impacto de seus investimentos e gastos na economia já representam 10% do PIB, quase o dobro de 2002. Participação do PIB deve chegar a 20% em 2014 Com a ajuda da alta dos preços, do aumento da produção e do refino do petróleo, o valor de mercado da Petrobras cresceu 10 vezes, de US$ 18 bilhões em janeiro de 2003 para US$ 200 bilhões, em dezembro de 2009. Segundo a consultoria PFC Energy, a estatal é hoje a quarta empresa de petróleo do mundo. E não vai parar por aqui. A Petrobras deve ser beneficiada como a única operadora dos campos do pré-sal e vai receber uma capitalização da União, equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo - o valor da capitalização ainda não está claro, mas deve chegar a dezenas de bilhões de reais. As megarreservas do pré-sal e investimentos que superam US$ 170 bilhões até 2014 devem ampliar a participação da Petrobras no PIB para 20%, estimam analistas.
Expansão tem viés ideológico
Por trás da estratégia do governo de "agigantar" a Petrobras existem motivações empresariais, econômicas e políticas. Segundo Paulo Roberto Costa, os objetivos são aumentar a escala, para reduzir custos e concorrer internacionalmente, e diversificar as operações, para se proteger de crises e variações abruptas de preços. "A lógica é ser uma empresa de energia." Para o governo, a estatal também funcionaria como um braço de política econômica, reduzindo a importação de insumos do País. Elevar a competitividade da cadeia de petróleo é uma alternativa para concorrer com a China e aliviar o déficit em transações correntes. A expansão da Petrobras também tem viés ideológico. O governo defende maior participação do Estado na economia e a utilização da estatal como instrumento de política industrial. Verticalização inibe o setor privado e só as parceiras da estatal sobrevivem A estratégia de transformar a Petrobras em campeã nacional também gera efeitos indesejáveis e protestos. Única fornecedora de matérias-primas como gás natural e nafta, a estatal vive em pé de guerra com os clientes, que reclamam dos preços. Segundo analistas, a verticalização inibe o setor privado e sobrevivem apenas as parceiras da estatal. "Ou você trabalha com a Petrobras ou não tem oportunidade. É uma estatização", diz o consultor Wagner Freire. Outro problema é que os setores em que a companhia está envolvida ficam sujeitos a alterações de rumo, ao sabor das mudanças de governo. Segundo um empresário que foi cliente da Petrobras, a estatal "não entra em nenhum negócio para ser coadjuvante". Apesar da quebra do monopólio em 1997, só a estatal produz e refina petróleo no Brasil. O investimento em refino saltou de US$ 200 milhões em 2003 para US$ 6,5 bilhões em 2009, e mais 5 refinarias devem ser construídas.
Estatal também cresceu na distribuição de combustíveis
Após a compra da Agip e das operações da Ipiranga no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a participação da Petrobrás Distribuidora subiu de 30,2% em 2002 para 38,6% em 2009, com quase 1.700 postos a mais. Segundo fontes do mercado, a estatal teria tentado comprar a Esso, que acabou com a Cosan. "Não dá para entender por que a Petrobras compra posto de gasolina. As petroleiras estão se desfazendo deles", diz o diretor do CBIE, Adriano Pires. Segundo o presidente da BR, José Lima Neto, a desistência dos grupos internacionais coincidiu com a decisão da empresa, de consolidar a operação no País. Ele diz que o objetivo da compra da Agip era incorporar a Liquigás e entrar no mercado de GLP. Hoje a Petrobras tem a maior rede de venda e distribuição do produto no País, com participação de 22,8%. Estatal também quase dobra malha de gasodutos Também na área de logística, a Transpetro vai dobrar sua frota até 2014, chegando a 100 embarcações. As encomendas são feitas no Brasil, para revigorar a indústria de estaleiros, e já representam a quinta maior carteira de pedidos de navios petroleiros do mundo. "Ter navio significa soberania, porque o que agrega valor é a logística", disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. A estatal quase dobrou sua malha de gasodutos. Hoje são 5.416 km, comparado com 2.762 km de 2002. A capacidade de processamento de gás natural da Petrobras saiu de 4,1 milhões de m3/dia em 2002 para 23,3 milhões hoje - alta de 468%.
Jogo no gás é pesado
Uma das maiores brigas da estatal é com os clientes do gás. As distribuidoras reclamam que os preços não refletem só o mercado externo, mas também a necessidade de caixa da Petrobras para financiar investimentos em dutos. E que a falta de garantia no fornecimento, atrapalha seus planos. A prioridade do governo no gás é atender as termoelétricas, onde a Petrobras hoje joga pesado. O apagão de energia de 2001 provocou um boom de investimentos privados no setor, mas uma mudança da lei, no ano seguinte, permitiu que estatal fosse às compras. Em 2002, ela tinha três termoelétricas. Hoje possui 14 térmicas a gás natural e 12 a óleo. Algumas das usinas lembram ícones da esquerda, como Prestes e Brizola. Somando as 14 pequenas centrais hidrelétricas e uma usina eólica, a Petrobras tem a 8ª maior capacidade de produção de energia elétrica do País. O aumento do poder na petroquímica é o passo mais novo da estatal, que também vai dobrar a capacidade em fertilizantes, com uma nova fábrica.
Manguinhos diversifica para retomar crescimento
Ainda sob desconfiança do mercado e dependente de um acordo tributário, não muito fácil de ser fechado, com o governo do Estado do Rio de Janeiro, a Refinaria de Petróleo Manguinhos (RPM) ensaia passos no caminho para retomar as atividades e sair do processo de recuperação extrajudicial em que se encontra, desde novembro de 2008. No papel, a empresa, controlada desde dezembro de 2008, pelo grupo paulista Andrade Magro, tem planos grandiosos que incluem o desdobramento em várias áreas de atividades independentes, formação de parcerias nessas áreas e investimentos de R$ 100 milhões, somente em 2010. O plano contempla também uma mudança de conceito operacional, com a criação da Refinaria Manguinhos Boutique (Remab), baseada na fabricação de produtos especiais, como gasolina premium e querosene de aviação. Grupo quer sócio na unidade de biodiesel
O primeiro ato dessa diversificação está marcado para acontecer esse mês. Segundo o superintendente da RPM, Paulo Henrique Menezes, começa a operar este mês a unidade de biodiesel, já instalada dentro da área da empresa - a unidade deveria ter sido operada pelo grupo paulista Ponte de Ferro, que acabou desistindo do projeto-, com capacidade inicial para produzir 60 mil toneladas por ano. Mas já está em processo de habilitação na ANP, o pedido para alcançar 100 mil toneladas por ano. De acordo com Menezes, a unidade de biodiesel será também a primeira empresa independente, para a qual o grupo está buscando uma parceria. Com área total de 600 mil m2, na principal via de entrada e saída de cargas do Rio de Janeiro (a Avenida Brasil) e com uma boia de atracação, na baía de Guanabara interligada por duto de 3,5 quilômetros a um parque de tancagem de para 215 milhões de litros, os donos de Manguinhos pretendem criar, também com parceria, a Terminais de Granéis Líquidos Manguinhos (TGLM). O plano inicial é colocar a TGLM em operação a partir de julho, com uma oferta de 160 milhões de litros de capacidade de tancagem (a capacidade restante será para uso da refinaria).
Refino será retomado em junho
Além disso, o grupo Andrade Magro programa criar na área onde está instalado, uma distribuidora de GLP, também em parceria, com foco no mercado formado pelo cinturão de favelas, que contorna o terreno. Outra empresa está programada, sempre aberta a parcerias, para atuar no tratamento de efluente para terceiros, aproveitando a capacidade ociosa da bacia de tratamento, já existente na refinaria. Além disso, Menezes disse que está programado para junho, a volta à efetiva operação da unidade de refino de Manguinhos, começando com 12 mil barris de óleo/ dia e chegando à capacidade de 15 mil barris, no fim do ano. Para tanto, o executivo disse que o grupo obteve da ANP autorização para a compra de petróleo recondicionado da Bolívia. A estratégia de focar em produtos mais caros é uma tentativa de evitar concorrência com a Petrobras nos combustíveis comuns, situação responsável pela quebra da empresa, na época em que era controlada pelo grupo Peixoto de Castro e pela Repsol/YPF. No projeto, mais a longo prazo, está prevista até a construção de uma termelétrica a gás, com potência de 200 MW.
Grandes empresas retomaram compras
Atualmente a refinaria, processa apenas cerca de 200 barris de óleo cru/dia, adquiridos de produtores independentes, em campos maduros na Bahia e transportados por caminhões, além de produzir gasolina (35 milhões de litros/mês) a partir de nafta. A quase totalidade do ICMS sobre essas vendas vem sendo pago na Justiça, com precatórios comprados com deságio de 65%, o que gerou ruptura com o governo do Estado. O pagamento com precatórios com guia judicial soma-se a suspeita de envolvimento do grupo controlador, com empresas que utilizavam expedientes jurídicos (liminares), para não recolher ICMS e vender combustíveis mais baratos. Ricardo Magro, representante do grupo acionista no conselho de administração de Manguinhos, admite apenas ter sido advogado da Inca, uma dessas empresas. Além disso, a própria Refinaria Manguinhos tornou-se não grata ao mercado das grandes distribuidoras, acusada de abastecer postos de bandeira branca, que seriam ligados a empresas, adeptas da chamada "indústria de liminares". Menezes disse que desde o 1º semestre do ano passado, que a refinaria vem lutando contra essa pecha, buscando, e conseguindo, tornar-se fornecedora de distribuidoras tradicionais. A meta, segundo ele, é fornecer apenas para os postos de bandeira. Apesar de ainda haver resistências, é fato que grandes empresas estão, realmente, comprando combustível da refinaria carioca.
Sucesso depende de acordo com governo estadual
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio, Julio Bueno, disse que está "com um enorme desejo de escutar" a proposta, que a direção da Refinaria Manguinhos tem a fazer ao governo do Estado, sobre a questão tributária. Mas o secretário disse também que considera "cláusula pétrea" não dar qualquer incentivo fiscal para o setor de combustíveis que, está entre os pilares da arrecadação de impostos de qualquer Estado. A prevalecer a posição do secretário, o grupo Andrade Magro terá sérias dificuldades, para colocar em prática seus planos para revigorar a refinaria, inaugurada em 1954, no segundo governo Getúlio Vargas, no auge da campanha "o petróleo é nosso". Estava prevista para a semana passada uma primeira reunião da cúpula da empresa com o governador do Estado, Sergio Cabral Filho, mas ela não ocorreu até quinta-feira, quando Cabral embarcou para Londres. Viés político criou desconfiança
Sem antecipar detalhes do que será pedido ao governo estadual, o superintendente de Manguinhos, Paulo Henrique Menezes, disse que a empresa quer uma solução que lhe permita encerrar o conflito jurídico com o governo e, ao mesmo tempo, ter fôlego financeiro para executar seus planos de investimentos. Desde que foi vendida pelos grupos Peixoto de Castro e Repsol/YPF ao grupo Andrade Magro, por R$ 7 milhões, em dezembro de 2008, a Refinaria de Manguinhos tem pago ICMS com precatórios, por via judicial. A prática ajudou a ampliar o clima de desconfiança, que já existia no mercado, com a empresa e seu novo controlador. E foi agravada pela escolha de um personagem de passado recente polêmico, para comandar o conselho de Manguinhos, o ex-secretário de Comunicação do governo federal, Marcelo Sereno, braço direito do ex-ministro José Dirceu, que deixou o governo, acusado de comandar esquema do chamado mensalão. Segundo a empresa, o petista foi chamado por sua experiência sindical e saiu em novembro do ano passado do cargo. Mas foi substituído por outro nome com viés político, Carlos Filipe Rizzo, ligado ao PC do B, partido que indicou o atual diretor-geral da ANP, Haroldo Lima.
Intenção é conseguir entendimento global com governo do Estado
Sobre os precatórios, a empresa entende que a combinação de uma norma federal, a Emenda Constitucional nº 62, que, no seu entendimento, institucionalizou o mercado secundário de precatórios, com o novo Refis do Estado do Rio, que admite o pagamento de dívidas vencidas, com esses papéis, permitirá a regularização dos pagamentos já feitos com guias judiciais. Mas, segundo Menezes, a intenção do grupo controlador de Manguinhos é conseguir um entendimento global com o governo do Estado. Ele não quis dizer se a empresa pedirá uma postergação de parte do ICMS, incentivo dado pelo Estado a outros setores, pelo prazo de 10 anos. Desde agosto, de acordo com o executivo, Manguinhos vem pagando à vista, após primeiro entendimento com o governo, cerca de R$ 1,5 milhão de ICMS por mês, aproximadamente 5% do valor devido.
Possível interesse de Eike alavancou papeis
Quando o grupo paulista Andrade Magro comprou a refinaria Manguinhos, herdou débitos fiscais da ordem de R$ 135 milhões e outros R$ 75 milhões de dívidas com fornecedores e bancos. Menezes disse que os débitos fiscais foram todos renegociados e que cerca de 80% das dívidas privadas já tiveram adesão dos credores ao plano de repactuação da empresa. O projeto de Manguinhos é saldar as dívidas com o que for obtido na formação de parcerias para explorar as várias áreas de atuação que estão sendo criadas. No mês passado, as ações de Manguinhos na Bovespa saltaram, em poucos dias, de R$ 0,45 para mais de um real, na esteira das novas normas sobre precatórios e de boatos sobre o interesse de Eike Batista na refinaria. O tempo dirá se o mercado terá razões mais sólidas, para investir nos papéis da empresa. |
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