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Os preços da nafta estão em recuperação nesses últimos meses. A valorização acumulada em 12 meses chega a 69%. A expectativa, no curto prazo, é de que os preços sigam firmes. E este cenário altista terá reflexos no Brasil. A nova companhia formada pela compra da Quattor pela Braskem, sofrerá impacto direto nos custos operacionais de suas fábricas. A fotografia atual mostra que a competitividade das empresas petroquímicas globais, que utilizam o gás natural para a produção de resinas, é maior do que as que utilizam nafta. Assim, o Brasil ainda leva forte desvantagem, uma vez que o gás natural é utilizado em baixa escala, ao contrário do Oriente Médio, cujos custos são os mais competitivos. A maior diversificação do mix de matéria-prima deverá ocorrer com os investimentos em curso no país, a partir das novas refinarias premium, afirmam analistas. Uma saída para a Braskem é seu plano de avanço no mercado internacional, para ganhar maior competitividade, com unidades à base de gás.
Custo de produção de eteno no Oriente Médio é o mais baixo do mundo
A capacidade atual instalada no país para a produção de eteno, principal matéria-prima para a produção de resinas termoplásticas, está em 3,7 milhões de toneladas, segundo levantamento da consultoria Maxiquim. Deste total, 82% são produzidas a partir do petróleo. Somada às 520 mil toneladas à base de gás natural do polo do Rio de Janeiro, a Braskem terá mais 200 mil toneladas de "offgas" (gás de refinaria), que entra em operação em São Paulo, a partir da fábrica da Quattor (ex-PQU). Já a capacidade para a produção de propeno (matéria-prima para o polipropileno, o PP) está em 1,615 milhão de toneladas, dos quais apenas 75 mil toneladas são à base do gás natural.
Só para comparar, os custos de produção de eteno (à base de gás), no Oriente Médio, estão estimados entre US$ 200 e US$ 250 a tonelada, o mais barato do mundo. Na União Europeia, com custos mais altos, sai a US$ 750. No Brasil, fica entre US$ 500 e US$ 600.
EUA investem no shale gas
O movimento de alta dos preços das matérias-primas começou no ano passado, sobretudo no segundo trimestre, após o período mais crítico da crise financeira global. Na sexta-feira, a cotação da nafta ARA, fechou a US$ 674 a tonelada, com recuo de 2% sobre o dia anterior, de acordo com levantamento da Bloomberg. Em 2008, chegou a superar os US$ 1.000, em maio, mas no pico da crise desabou a US$ 230, na média. "Nos EUA, o gás natural hoje é a melhor alternativa. As plantas petroquímicas que operam com etano e propano estão com maior competitividade", segundo Rina Quijada, CEO da Intellichem, consultoria petroquímica, com sede em Houston (EUA). A maior competitividade do gás natural, no mercado americano, reflete a baixa demanda, por conta da crise financeira global. "A demanda por gás caiu nos EUA, por causa da crise. Outro fator importante é que as plantas americanas estão operando a taxas reduzidas. Várias empresas aqui foram fechadas", afirmou Rina. Outro elemento observado pela consultora, é que os EUA investem em uma tecnologia para o processamento do gás, o chamado "shale gas", que tem elevado a oferta daquele país. "Assim como o Brasil investe na produção de resina verde, os EUA trabalham também com uma tecnologia de inovação." Vale lembrar que a competitividade entre uma matéria-prima e outra depende das circunstâncias de mercado. "Entre 2005 e 2006, por exemplo, a nafta estava muito mais competitiva", observou a consultora.
Custos estão altos
A expectativa de maior oferta de resinas do Oriente Médio e Ásia deve pressionar os preços da matéria-prima, a partir do segundo semestre, segundo analistas de mercado. Rina observa que, "na indústria petroquímica é importante analisar o cenário a longo prazo". E é com base nesta premissa, que se respalda a Braskem. Bernardo Gradin reconheceu que os custos, neste momento, estão altos. "Mas os custos operacionais não são só matérias-primas e a escala que a empresa vai ganhar, pode reduzir os custos", disse. Neste início de ano, a empresa está operando a taxas superiores a 95%, ante os 50% no 1º trimestre de 2009, período mais agudo do setor.
Com a Sunoco, Braskem ganhou força em PP
Para analistas, os investimentos da Braskem, no longo prazo, vão dar maior competitividade à companhia. "No México, por exemplo, a Braskem terá maior acesso ao etano. Com a Sunoco, a empresa ganhou força em PP", afirmou Rina. A segunda aquisição da Braskem nos Estados Unidos, prevista para ser concluída ainda neste ano, poderá completar o pacote de produtos interessantes à companhia, como o polietileno. Fontes de mercado apontam que a empresa está negociando os ativos da inglesa Ineos, formada por fundos de private equity, nos EUA. Sobre as negociações da Braskem, para a 2ª aquisição nos EUA, Gradin limita-se a dizer, que as negociações estão em curso e não descarta alianças estratégicas, como joint ventures.
Pais ganha competitividade no longo prazo
Analistas de mercado afirmam que o cenário do setor petroquímico brasileiro, no longo prazo, coloca o país, em uma posição mais competitiva. "A partir de 2015 teremos mais oferta das chamadas refinarias premium da Petrobras, entre elas está a Comperj [projeto ainda em discussão pela estatal] e também as do Maranhão e de Pernambuco", lembra João Luiz Zuñeda, da Maxiquim. Com o início da produção das novas refinarias premium, é grande o potencial de produção de "offgas" no Brasil, o que aumentará a autossuficiência e flexibilidade de matérias-primas petroquímicas, observa Zuñeda. O potencial é de aumento de 1 milhão de toneladas de eteno produzido a partir de uma corrente de "offgas", estima a consultoria Maxiquim./Valor B8
Resina sobe 7%
No setor da transformação plástica, 2010 começou com alta de 7% no preço da matéria-prima (resinas termoplásticas). O índice, distribuído entre janeiro e fevereiro, "é absolutamente suportável", de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico (Sinplast-RS), Alfredo Schmitt. E já começou a ser repassado aos preços dos produtos plásticos. Poderia ter sido pior. Entre setembro e dezembro de 2009, os preços internacionais das resinas aumentaram 22%. "Mas, no mercado interno não houve nenhum reajuste", lembra Schmitt. Entre os industriais do RS e do país, conforme o presidente do Sinplast-RS, o ambiente é de otimismo. Historicamente, em anos sem crises, o crescimento da transformação plástica é de uma vez e meia a taxa do PIB: "se o PIB chegar a 5%, a nossa indústria expandirá 7,5%", projeta Schmitt. Em 2009 houve retração: fecharam 25 empresas - o universo é de 1,1 mil fábricas - e 4 mil postos de trabalho./CP- Panorama Econômico. |
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